Boa madrugada, Quinta, 23 de Novembro de 2017
 
   
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ESPIRITUALIDADE

 
 

Humanismo em Santa Clara

A visão franciscana do homem está profundamente marcada pela PRESENÇA DE DEUS, que ele vê em tudo e em todos. Estremece de ternura, de admiração e de espanto ao surpreender em si e nos acontecimentos, na história, nos homens e em todas as coisas animadas ou inanimadas, sensíveis ou insensíveis, a PRESENÇA encantadora do maravilhoso Criador (Frei Miguel de Negreiros OFMCap in www.santuariopenapolis.com.br). A raiz desta visão está na vida mesma de Jesus que tem compaixão da multidão (cf. Mt 15,32), não condena os pecadores (cf. Jo 8,1-11; Mt 9,2; Lc 19,7), chama as pessoas pelo nome (cf. Mc 5,9; Jo 20,16) e acolhe a todos (cf. Lc 18,16; Mc 9,39).
São Francisco acolhia cada pessoa como se acolhesse o próprio Criador. Assim foi com o leproso, os irmãos de Ordem, Santa Clara e suas irmãs, o ladrão e cada pessoa excluída da sociedade de seu tempo. Esta forma acolhedora contagiou Santa Clara.
Santa Clara aprendeu de São Francisco o humanismo que via no homem e na mulher seres humanos merecedores de confiança, afeto, atenção, dedicação e gratidão. Trata-se de uma visão que leva ao relacionamento humanizado, personalizado e carinhoso com cada pessoa. Entendemos assim o gesto de Santa Clara que lavava os pés das irmãs que chegavam ao convento São Damião, que cobria as irmãs já adormecidas em noites de frio e que defendeu-se dos invasores com os ostensório.
Na Regra de vida Santa Clara escreveu: “A abadessa, porém, tenha tanta familiaridade com as irmãs que possam falar e fazer com ela como as senhoras com sua serva” (RSC 10,4). Como São Francisco, ela quis um relacionamento que fosse marcado respeito humano e pela fraternidade e não pela hierarquia. Também escreve em seu Testamento sobre o modo de relacionar-se da abadessa: "Seja também previdente e discreta para com suas Irmãs, como uma boa mãe faz com suas filhas” (TSC 63).
A forma de relacionar-se revela a compreensão do outro ser. Ao relacionar-se como irmã, Santa Clara revela que o outro/a é filho/a do mesmo Pai, tão amado/a quanto ela, tem a mesma dignidade, os mesmos direitos e a mesma vontade de ser feliz.
Hoje a sociedade desumaniza as pessoas colocando determinados interesses acima delas. O maior exemplo é referente ao sistema capitalista que reduz a pessoa a mero consumidor e vale quanto pesa a sua capacidade de consumir. A criança nem sempre é respeitada como tal, haja visto a quantidade de propagandas direcionadas a ela, ou a forma como a sociedade quer que ela seja “adulta” vestindo-a e exigindo postura de adultos. Nem mencionaremos a instrumentalização e exploração de pessoas.
No atendimento às pessoas, especialmente na área da saúde, existe uma tendência de humanização, pois chegamos a extremos de descaso para com elas.
No atendimento às crianças, nas escolas por exemplo, em alguns casos foi superada a chamada pelo número, mas ainda é preciso humanizar. Nas famílias elas percebem quando o cachorro e a TV recebem mais atenção. Elas também percebem quando os adultos não confiam nelas ou fingem carinho e afeição.
Olhar a criança como pessoa humana significa reconhecer que nela está a vida que vem de Deus, a sua história familiar e de vida, as esperanças, o anseio e o medo, todos escondidos em atitudes inesperadas e, às vezes, incompreendidas devido nossa ignorância diante do mistério da pessoa humana.


Frei Valmir Ramos, ofm

 
     
 

São Francisco de Assis

Dia 04 de outubro o mundo celebra o dia do santo da paz: São Francisco de Assis. Este santo pelo qual o mundo inteiro tem simpatia, nasceu no ano 1181 ou 1182 em Assis, na Itália central.
Quando jovem, queria ser cavaleiro importante e famoso. Foi para a guerra contra uma cidade vizinha à sua e acabou preso. Depois ficou doente. Durante todo este tempo estava queimando por dentro o amor pelo verdadeiro Rei. Ainda muito jovem, começou a buscar respostas para as suas inquietações.
Descobriu que deveria servir o Senhor e viver a fraternidade verdadeira. Assim deixou todos os anseios de fama e riqueza e passou a viver na simplicidade. Trocou a segurança e o conforto da casa paterna pela aventura de ir pelo mundo sem nada de próprio e dar testemunho de Deus.
Pobre, pé descalso, túnica rústica, corda à cintura, São Francisco começou a viver na humildade o Evangelho de Jesus Cristo. Jesus Crucificado foi a meta de São Francisco. Ele via no pobre, no leproso, no mendigo, a própria imagem do Crucificado. Seu amor por Ele foi transbordante e contagiou muitos outros seguidores.
A vida de São Francisco foi se tornando um diálogo contínuo com Deus. São Francisco o contempla e descobre que “só Ele é bom”, Ele “diz e opera todo o bem”; por isso exclama: “tu és o bem, todo o bem, o sumo bem, Senhor Deus vivo e verdadeiro. Tu és o amor, a caridade”. Na sua primeira regra (1Rg 23,27-29) encontramos: “outra coisa não desejemos, nem queiramos, nem nos agrade, nem nos alegre, senão o nosso Criador e Redentor e Salvador, o único e verdadeiro Deus, que é o bem pleno, o bem todo, o bem inteiro, o sumo e verdadeiro bem, que só Ele é bom...”.
         Para S. Francisco o amor a Deus se estende também aos irmãos. Tal amor deveria se expressar no serviço fraterno. De fato, para ela a atitude do serviço fraterno é sinal e termômetro da caridade. Segundo ele o amor vai também até os ausentes, os doentes... Mas o ponto mais sublime do amor proposto por S. Francisco se volta para os inimigos, os ladrões e bandidos. Todos devem ser objeto de amor, da mesma forma que o Pai ama a todos, indistintamente, inclusive aqueles que não fazem a sua vontade. Todos são convidados à conversão.
         Vivendo a mais autêntica fraternidade, São Francisco vê em todas as criaturas sinais de Deus neste mundo. Através delas ela contempla a beleza e grandeza do Criador. Em gestos simples, ingênuos, andava pelos campos a louvar o Autor de todas as criaturas. O respeito pelas criaturas, a começar pela criatura humana, era tal que São Francisco se considerava o último e o mais indigno dos homens e chamava a todos e a tudo de irmão/irmã.
         São Francisco morreu em Assis no dia 04 de outubro de 1226. Já sendo considerado santo em vida, foi canonizado dois anos depois de sua morte.
         São Francisco nos ensine o amor de Deus, o respeito pelas criaturas humanas, a dedicação aos mais pobres e doentes! São Francisco inspire em nós ações concretas para um mundo mais justo onde reine a paz!
                                                                                                      

Frei Valmir

 
     
 

São Francisco de Assis e a Paz

Em 1226 morreu o homem da paz, São Francisco de Assis. O mundo pensava que havia perdido um tesouro e que a utopia da paz se distanciasse para sempre.  Não foi o que ocorreu. São Francisco continuou e continua o homem da paz.
São Francisco captou os problemas desumanizantes de seu tempo: injustiças sociais, pobreza e guerra. Se sentindo chamado a ser “arauto do grande Rei”, deixou tudo: casa paterna, fortuna da loja do pai, sonho de ser famoso, de ser vencedor na guerra... Livre, quis viver o Evangelho à risca. Jesus pobre e crucificado é a sua meta.
Olhando para a Idade Média (época de São Francisco), reconhecemos que o mundo de então era dominado pelo feudalismo, pelo imperialismo e pelo poder papal. Os senhores protagonistas de tais poderes eram mantidos por uma mentalidade que os legitimava apesar da injustiça social ocorrente de tais sistemas.
A ação do homem da paz foi inusitada: livre de todo este sistema, propôs a vida evangélica. Como os mais violentados em seus “direitos humanos” eram os pobres, São Francisco escolheu ser pobre.  Não simplesmente para ser mais um pobre, mas para ser livre e experimentar a fraternidade sem usar o poder para dominar ou acumular bens.
Sem fazer uma revolução social, o homem da paz revolucionou o mundo da Igreja, a sociedade da época e até o posicionamento político de então. Tudo isto pode ser percebido nas atitudes de São Francisco que não ataca ninguém, mas trata a cada um como irmão, desarmando-o do poder, mostrando que a paz, anseio de todo ser humano, chega através da vivência da justiça social.
Naturalmente, São Francisco não propôs uma inversão de papéis entre os poderosos e causadores de injustiças e os injustiçados que tinham seus direitos básicos violados. A proposta é a fraternidade, é a deposição das armas, é a repartição dos bens e frutos produzidos neste mundo.
Se não fosse uma ousadia, viria uma ânsia de imitar este homem medieval e atual. Isto porque hoje também encontramos sistemas desumanizantes que apresentam falsos valores aceitos pela sociedade. O poder econômico dominador, a falsa democracia em alguns governos, a má distribuição dos bens e da renda, o abuso contra o ser humano e a impunidade geram mecanismos de violência e destruição do ser humano.
O vocábulo fraternidade não existe para aqueles que estão do lado aposto aos pobres. O conceito de paz também é muito limitado, subjetivo, pois pensa que a paz significa dominar sobre os menores, mesmo que seja empunhando uma arma de fogo.
“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”. Esta frase inicia a oração pela paz atribuída ao homem da paz. Nela podemos reconhecer toda a disponibilidade de São Francisco em deixar-se conduzir por Deus, o Senhor da paz, o Pai da vida, o libertador dos oprimidos e empobrecidos, a riqueza dos violentados, a salvação dos que constróem a paz.
São Francisco nos inspira hoje para uma ação gratuita de construção daquilo que é justo para todos os seres humanos e, como consequência, chegar-se-á à construção do mundo de verdadeira paz. Aí então cantaremos como irmãos e irmãs juntos com São Francisco de Assis: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.


Frei Valmir Ramos,ofm

 
     
 

Natal 2011

“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,2), “luz verdadeira que ilumina todo ser humano” (Jo 1,9). Nasceu para a humanidade um Salvador!
         Jesus, o Salvador, viveu toda a sua juventude como todos os jovens religiosos de seu tempo e com apenas três anos de vida pública revelou o rosto paterno/materno de Deus. Sua missão foi a de implantar o Reino de Deus neste mundo e fazer com que todos tivessem vida em abundância (Jo 10,10). Para colaborar com esta missão, Jesus chamou homens e mulheres dispostos a mudar de vida, deixar para trás as injustiças, os preconceitos, as atitudes de violência de desrespeito à vida... No fundo, a proposta de Jesus é de abertura para o novo, para o desconhecido que leva à valorização da vida. Alguns acataram a proposta e viram em Jesus o verdadeiro Caminho. Outros não aceitaram suas ideias e ações, ignorando a possibilidade de construção de um mundo novo.
Para que todos tenham vida em abundância é preciso mudanças. Os cristãos são os primeiros a serem chamados para esta mudança inspirados no Salvador que nasceu em Belém da Judéia.
         São Francisco de Assis quis ver e tocar o Menino que nasceu numa manjedoura. Por isso, criou o presépio num ambiente semelhante àquele de Belém. Em Greccio, no centro da Itália, ele pediu aos camponeses que preparassem uma gruta com feno e trouxessem um boi e um burro. Ali, celebram o Santo Natal, meditando a Palavra de Deus e contemplando a encarnação de Jesus que, “sendo Deus se fez homem” (cf Lc 2,7; Fl 2,6-11).
         O Papai Noel:
A figura do Papai Noel foi criada da devoção a São Nicolau, um santo venerado, amado e muito querido por tantos cristãos do Ocidente e do Oriente. Ele é o padroeiro da Rússia, de Moscou, da Grécia, de Mira, na Turquia, de Lorena, na França, e de Bari, na Itália, dos marinheiros, das crianças, das moças, dos presos e dos lojistas.
Nascido em Patara, na Ásia Menor, na metade do século III, São Nicolau era filho de família rica. Foi consagrado bispo de Mira, atual Turquia, e desenvolveu seu apostolado também na Palestina e no Egito.
Ainda em vida, era venerado como santo devido à sua caridade e os milagres que aconteciam por sua intercessão. Morreu no dia 6 de dezembro de 326, em Mira. Imediatamente, o local da sepultura se tornou lugar de muita peregrinação. O seu culto se difundiu pela Ásia. Em 1087 setenta marinheiros italianos se apoderaram das suas relíquias mortais, transferindo-as para Bari na Itália. O corpo de são Nicolau foi acolhido, triunfalmente, pela população de Bari, que o elegeu seu padroeiro.
Dizem que São Nicolau colocava presentes para as crianças em sacos e os jogava dentro das chaminés à noite. Dessa tradição veio a sua fama de amigo das crianças. Mais tarde, ele foi incluído nos rituais natalinos no dia 25 de dezembro, ligando São Nicolau ao nascimento do Menino Jesus.
A sua figura bondosa e caridosa, símbolo da fraternidade cristã, revestida com os paramentos litúrgicos do bispo, foi coberta por falsas vestes pelo comércio nos Estados Unidos, para onde os emigrantes alemães e holandeses levaram seu culto. Aos poucos os interesses comerciais foram desvirtuando a figura dele e criando a do ‘‘Papai Noel’’, exportado depois pelos Estados Unidos há quase um século.

Frei Valmir Ramos, ofm
(Paróquia do Sagrado Coração de Jesus)

 

 
     
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